Além de poda de árvores e faxina de casas, os serviços incluem limpeza de chaminés, remoção de neve e até pedidos inusitados
Tóquio, Japão – Com o avanço do envelhecimento da população japonesa, cresce a procura pelos serviços dos chamados benriya (便利屋) — profissionais conhecidos como “faz-tudo”, que atendem desde pequenas reformas até tarefas do dia a dia. Em alguns casos, a atividade pode render mais de 10 milhões de ienes por ano, informou a TV Asahi.
É o caso de Noriaki Aikawa, de 64 anos. Atuando como benriya na região de Akiruno, em Tóquio, ele relata que muitos dos pedidos estão ligados a casas vazias e à dificuldade de familiares idosos em cuidar dos imóveis.
“Este primeiro trabalho é em uma casa que ficou desocupada. O mato cresceu demais e os galhos das árvores estão invadindo o terreno vizinho. Vamos fazer a poda”, explica.
Segundo ele, mesmo quando parentes vinham cuidando do local, o envelhecimento dessas pessoas acaba tornando a manutenção inviável, o que leva à contratação do serviço. Em cerca de 30 minutos, o jardim fica completamente limpo.
As solicitações são variadas. Em seguida, Aikawa segue para uma residência atingida por um incêndio. “Os moradores são idosos e não conseguem fazer a limpeza”, conta. Em muitos casos, são filhos que precisam organizar o local após um incêndio causado pelos pais, mas não contam com mão de obra masculina nem com condições físicas para realizar o trabalho.
De acordo com dados oficiais, no ano passado o Japão registrou 27,6 milhões de lares com pelo menos uma pessoa de 65 anos ou mais — mais da metade do total de domicílios do país. Desse grupo, 64,5% são compostos por idosos que vivem sozinhos ou apenas com o cônjuge, o que aumenta a necessidade de ajuda em situações cotidianas.
“Tudo o que está aqui foi danificado pelo fogo, pela fumaça ou pela água usada no combate ao incêndio. Nada pode ser reaproveitado”, explica Aikawa enquanto faz a triagem dos objetos.
Além de poda de árvores e faxina de casas, os serviços incluem limpeza de chaminés, remoção de neve e até pedidos inusitados, como acompanhar clientes a concertos de música. Ele atende dezenas de solicitações por mês e revela que já ultrapassou a marca de 10 milhões de ienes de renda anual.
Embora a renda média de um benriya gire entre 3,5 milhões e 4 milhões de ienes por ano, Aikawa fatura quase três vezes mais. O segredo, segundo ele, está na divulgação: panfletos escritos à mão, com foto do próprio profissional. Em vez de depender apenas da internet, ele distribui os folhetos pessoalmente, casa por casa, para alcançar especialmente os idosos.
Uma moradora que recebeu o panfleto conta que a abordagem transmite confiança. “É escrito à mão e chama a atenção. Já tinha visto a foto dele antes e isso passa ainda mais segurança.”
Pensando no futuro, Aikawa afirma que quer formar novos profissionais. “As pessoas ficam realmente felizes e o ‘obrigado’ é muito gratificante. Não quero apenas ganhar dinheiro sozinho. É um trabalho de contribuição social, que ajuda os idosos. Por isso, quero treinar a geração mais jovem”, conclui.
