O anúncio ocorre após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques dos EUA e Israel no fim de semana
Washington – O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar embarcações que tentarem atravessar a região, em uma nova escalada das tensões militares no Oriente Médio após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques dos Estados Unidos e a Israel, informou a CNN.
A declaração foi feita na segunda-feira (2) pelo general Ebrahim Jabbari, assessor do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica. Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal IRIB, ele afirmou que o estreito está totalmente bloqueado e advertiu que qualquer navio que tente cruzar a área poderá ser alvo das forças iranianas.
“O estreito está fechado, e qualquer um que ousar passar, nossos heróis da força naval e do exército da Guarda Revolucionária incendiarão esses navios. Não venham para esta região”, declarou. Segundo ele, o país também pretende impedir a exportação de petróleo pela rota até que seus adversários “sintam a pressão”.
Autoridades dos EUA, no entanto, dizem que o Estreito de Ormuz não está fechado.
Rota estratégica para o petróleo mundial
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio global de energia. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e atravessa águas territoriais do Irã e de Omã, sendo essencial para o transporte internacional de petróleo.
A porção norte do estreito é controlada pelo Irã. Dados do governo dos Estados Unidos indicam que cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo passam normalmente pela região.
As remessas incluem principalmente petróleo e derivados provenientes de países como Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O eventual bloqueio da rota levanta preocupações globais sobre interrupções no abastecimento energético e forte alta nos preços do petróleo.
Escalada militar após morte de Khamenei
O fechamento do estreito ocorre após uma rápida deterioração da segurança regional. No sábado (28), Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques contra o Irã em meio às tensões envolvendo o programa nuclear iraniano.
Segundo a mídia estatal iraniana, os bombardeios resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, informação posteriormente confirmada por autoridades iranianas. Após o anúncio, Teerã prometeu lançar a “ofensiva mais pesada” de sua história.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que retaliar os ataques é um “direito e dever legítimo” do país. Como resposta inicial, o Irã passou a atacar países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu às ameaças iranianas advertindo que novas ações militares poderão provocar uma resposta sem precedentes.
“É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, afirmou.
Trump também declarou que o planejamento inicial previa um conflito de quatro a cinco semanas, mas indicou que as operações podem se prolongar. “Temos capacidade para ir muito além disso. Faremos o que for preciso”, disse em pronunciamento na segunda-feira.
