O recuo coincide com o apelo do governo chinês para evitar viagens ao país, em retaliação às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan
Quioto, Japão – A redução no número de turistas chineses já começa a provocar mudanças visíveis em alguns dos principais destinos turísticos do Japão, como Kamakura e Quioto. A ausência de viagens em grupos tem impactado o comércio local e, principalmente, o setor hoteleiro, segundo uma reportagem exibida pela emissora TBS no domingo (21).
Em áreas turísticas de Tóquio, como Ginza, o movimento de estrangeiros segue intenso nos fins de semana. No entanto, ao ouvir visitantes que falam chinês, a maioria afirma vir de Hong Kong, enquanto turistas da China continental são cada vez mais raros.
Em Kamakura, cidade na província de Kanagawa tradicionalmente popular entre turistas chineses, comerciantes já percebem a mudança. Segundo o presidente da Associação Comercial de Komachi, Masafumi Kon, o número de visitantes individuais ainda é significativo, mas os grupos de turistas chineses praticamente desapareceram.
Em lojas onde, no auge, cerca de 70% dos clientes estrangeiros eram chineses, a queda nas vendas preocupa. Funcionários relatam que a redução é expressiva e alertam que, se a situação se prolongar até o Ano Novo Lunar, em fevereiro, o impacto poderá ser ainda maior.
Hotéis de Quioto reduzem preços
A queda no turismo chinês também afeta Quioto, um dos destinos mais procurados do país. Após um período de forte alta nos preços — quando a diária média dos principais hotéis ultrapassava 20 mil ienes devido ao aumento de visitantes estrangeiros —, o cenário mudou.
Turistas japoneses relatam encontrar hospedagens mais baratas. Hotéis próximos à estação de Quioto, por exemplo, passaram a oferecer diárias abaixo de 10 mil ienes, o que representa menos da metade dos valores praticados anteriormente. A redução é atribuída ao grande número de cancelamentos de grupos, especialmente vindos da China.
Queda expressiva em 2025
Os dados confirmam a tendência. Em 2024, o número de turistas chineses em outubro e novembro permaneceu praticamente estável. Já em 2025, houve uma queda de cerca de 20% em novembro em relação a outubro, o equivalente a 160 mil visitantes a menos.
O recuo coincide com o apelo do governo chinês para evitar viagens ao Japão, feito em 14 de novembro, em retaliação às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. Mesmo com apenas meio mês de vigência, a recomendação parece ter gerado um volume significativo de cancelamentos.
Por outro lado, o impacto não é tão forte entre turistas de Hong Kong. Apesar de também existir um alerta relacionado a viagens ao Japão, visitantes da região afirmam que a decisão de viajar não está ligada a questões políticas.
“Isso não tem relação conosco. Política não tem a ver comigo”, disse uma turista de Hong Kong. Outro visitante afirmou esperar que as relações entre Japão e China melhorem no futuro.
