Bombardeiros da China e da Rússia fazem rota incomum em direção a Tóquio em possível ato de intimidação

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A manobra envolveu aeronaves chinesas H-6K, com capacidade para lançar mísseis de cruzeiro e transportar armas nucleares

Tóquio, Japão – Bombardeiros das forças armadas da China e da Rússia realizaram um voo conjunto por uma rota considerada incomum, seguindo em direção à região de Tóquio após atravessarem o espaço aéreo entre a ilha principal de Okinawa e Miyakojima, informou o jornal Yomiuri no sábado (13).

A manobra, que envolveu aeronaves com capacidade para transporte de armas nucleares na última terça-feira (9), é vista por autoridades japonesas como uma possível ação coordenada de intimidação, levando o governo do Japão a reforçar o estado de alerta.

A informação foi confirmada por múltiplas fontes do governo japonês. Segundo elas, as aeronaves chinesas envolvidas eram bombardeiros estratégicos H-6K, uma versão modernizada do modelo H-6. Esses aviões têm capacidade para lançar mísseis de cruzeiro ar-solo CJ-20, com alcance superior a 1.500 quilômetros, e podem ser equipados com ogivas nucleares.

De acordo com as autoridades, dois H-6K chineses voaram em formação com dois bombardeiros russos Tu-95, além de caças de escolta. Após cruzarem o corredor aéreo entre Okinawa e Miyakojima e avançarem até o Oceano Pacífico, as aeronaves mudaram o rumo para o nordeste, passando a seguir paralelamente ao arquipélago japonês. O grupo avançou até a altura do litoral de Shikoku, antes de retornar.

Na extensão dessa rota estavam localizados Tóquio, a Base Naval de Yokosuka da Força Marítima de Autodefesa do Japão e a Base Naval de Yokosuka da Marinha dos Estados Unidos. O trajeto também coincidiu com a rota percorrida, no dia 6, pelo porta-aviões chinês Liaoning, cujas aeronaves de bordo chegaram a apontar radares de controle de tiro contra aviões das Forças de Autodefesa do Japão.

Segundo altos oficiais das Forças de Autodefesa, bombardeiros chineses já haviam adotado uma rota em direção a Tóquio em 2017, mas esta foi a primeira vez em que aeronaves chinesas e russas foram confirmadas seguindo esse trajeto simultaneamente. Em ocasiões anteriores, após cruzarem Okinawa e Miyakojima, aviões chineses costumavam seguir rumo a Guam, onde estão localizadas bases militares dos Estados Unidos.

Para um oficial graduado das Forças de Autodefesa, o voo desta vez teve como objetivo demonstrar a capacidade de bombardear Tóquio. Há ainda a avaliação de que a ação pode ter sido uma resposta às recentes declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi no Parlamento sobre uma possível intervenção do Japão em caso de conflito envolvendo Taiwan.

Japão e EUA realizam treinamento conjunto em resposta

Diante do movimento das forças chinesas e russas, o Japão e os Estados Unidos intensificaram sua postura de dissuasão. Na quarta-feira (10), os dois países realizaram um treinamento militar conjunto sobre o Mar do Japão, envolvendo dois bombardeiros estratégicos B-52 da Força Aérea dos EUA — também capazes de transportar armas nucleares — além de três caças F-35 e três F-15 da Força Aérea de Autodefesa do Japão.

O exercício teve como objetivo demonstrar a coordenação militar entre Japão e Estados Unidos e reforçar o poder de dissuasão diante do fortalecimento da cooperação militar entre China e Rússia na região.

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